Base Nacional Comum Curricular: Avanços, contradições e tensões

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Vivemos um momento sombrio para a Educação Básica brasileira. É lamentável iniciar com estas palavras o prefácio desta obra tão importante em seu conteúdo e tão cuidadosamente organizada, mas não temos tempo para meias verdades e penso que é compromisso intelectual e político de todos os que atuam e pesquisam no campo da educação produzir conhecimento que seja crítica, resistência e transformação no processo de implementação da Base Nacional Comum Curricular em todo o Brasil.

São trinta e dois anos de debates, tensões entre as instituições formadoras e as redes de ensino e o Ministério da Educação e tentativas de unificação curricular a cada década; até chegarmos ao atual momento histórico, com a Base Nacional Comum Curricular para a Educação Infantil e Ensino Fundamental (dezembro de 2017) e Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio (dezembro de 2018). Em relação ao Ensino Médio, não podemos nos esquecer que a Lei 4.315/2017 (Reforma do Ensino Médio) já trazia importantes e muito contraditórias mudanças na estruturação deste nível de ensino, bem como de seus componentes curriculares, o que já vinha sendo objeto de análise e discussão.

Bem se vê que não é tarefa fácil para pesquisadores, formadores de professores e profissionais da Educação Básica acompanhar, analisar e, em determinados momentos, “subverter” o processo de implementação das diferentes tentativas de unificação curricular vivenciadas ao longo destas três décadas.

Como formadora de professoras e professores no curso de Pedagogia e pesquisadora das relações entre ensino, aprendizagem e conhecimentos escolares, vi com tristeza e às vezes desespero como foi a participação das universidades e dos professores das escolas na discussão das diferentes versões da base e vejo com muita preocupação a forma como a implementação vem acontecendo no Brasil e em nosso estado, como se o imenso conjunto de competências e habilidades prescritos para os diferentes níveis de ensino fossem “o remédio” para os problemas históricos de formação docente e de condições de trabalho e ensino nas escolas públicas brasileiras.

Outra questão muito importante, tratada diretamente em cinco textos desta obra, diz respeito à formação de professores e a pressão para que a formação inicial e continuada estejam completamente alinhadas e espelhadas à base, o que já se coloca como um grande desafio para as instituições formadoras, uma vez que enfrentaremos também o processo de implementação da Base Inicial Comum para a Formação Inicial de Professores (dezembro de 2019), que no meu entendimento subverte profundamente o espírito crítico e científico que orienta a formação de professores consubstanciada nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial em Nível Superior (2015).

Organização:
Andréa Kochhann

Autores:
Adriana Sampaio Tibery
Alessandra Batista de Oliveira
Ana Paula Arantes da Silva
Ândrea Carla Machado de Moraes
Andréa Kochhann
Carlos Sérgio de Oliveira
Delson da Silveira
Douglas Correia dos Santos
Elaine Gonçalves Cordeiro
Irene Silva de Abreu
Ivanor Ranzi
Juvenilto Soares Nascimento
Kátia Augusta Curado Pinheiro Cordeiro da Silva
Lucas Lourenço Silva
Marcilene Pelegrine Gomes
Meire Cristina Costa Ruggeri
Milton Justus
Nay Brúnio Borges
Péricles Antonio de Souza Nascimento
Renato Barros de Almeida
Rosimary Henrique Costa e Silva
Viviane Carrijo Volnei Pereira
Zilda Gonçalves de Carvalho Mendonça

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